16 de nov. de 2009

Simplesmente puro e verdadeiro

Oi gente! Hoje vou postar um belíssimo texto de Clarice Lispector. Leiam e desfrutem da mesma emoção que eu senti ao ler. A profundeza das expressões da autora, nos fazem refletir sobre, talvez um dos maiores motivos do fracasso de muitos relacionamentos amorosos. Ela mostra, de maneira singela e sublime, o que acontece quando, muitas vezes, queremos dominar o que temos, deixando transbordar gestos e carências e nos preocupando em obter uma estabilidade já obtida quando estávamos distraídos, quando curtíamos um olhar ou um sorriso. O texto pode ser visto sobre diversas perspectivas. Clarice, de novo, foi mais que feliz em suas palavras baseadas na subjetividade humana. Palavras que entram no mais íntimo do nosso ser. Simplesmente puro e verdadeiro.



Por não estarem distraídos
Clarice Lispector

Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque – a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras – e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração.Como eles admiravam estarem juntos! Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que, estava ali, no entanto.No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram.Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios.
Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.

5 de nov. de 2009

Desabafo

Oi gente!

Pra variar, consegui um tempinho para escrever aqui no meio da minha semana a mil por hora! Primeiramente, gostaria de agradecer aos meus queridos companheiros de classe que acessaram meu blog e se tornaram meus seguidores, além de mim. Isso mesmo. Eu virei seguidora de mim mesma. Mas peço paciência, pois ainda estou em fase de adaptação.
Bom, fiquei pensando rapidamente sobre o que eu ia escrever hoje. Não tenho nenhuma novidade, no entanto, nem sempre precisamos de algo novo. Existem pequenos e singelos detalhes em nosso cotidiano que passam despercebidos em meio à correria do dia-a-dia. Ontem, peguei um ônibus em direção à agência na qual faço estágio e sentei no banco mais alto próximo à janela. Enquanto o ônibus seguia seu percurso, abri a janela e senti o vento batendo no meu rosto e junto a isso uma sensação fantástica. Aquilo bastou para que eu me desfizesse, por cinco minutos, de todos os compromissos e deveres que se entrelaçavam na minha louca cabeça. De olhos fechados, pensei na minha vida e, assim como faço todos os dias de manhã, agradeci a Deus por estar ali.
Ao sair do trabalho, já noite, peguei o mesmo ônibus de volta e fui presenteada com uma linda lua cheia. Nunca tinha visto uma lua tão grande e bonita. Parecia estar sobre a água e bem próximo a mim. Meus olhos encheram de lágrima (pra variar) e minha alegria foi multiplicada. Pensei em tudo que acontecera comigo esse ano, todas as derrotas, vitórias, acertos e erros, e me senti grata, pois, além de conseguir tudo o que queria, eu desfrutava ali de um momento simples e curto que me transmitia tanta felicidade. Felicidade essa que muitos não conseguem alcançar durante uma vida inteira. Acho que nunca passou pela minha cabeça que um momento como aquele poderia me proporcionar mais alegria e aumentar minha vontade de viver. A correria do dia-a-dia e o tempo nos consome cada vez mais, fazendo-nos esquecer de olhar para o lado sem ser para atravessar a rua e tornando-nos incapazes de apreciar o outro lado da vida e a felicidade que se perde entre nós.
É por essas e outras que vivo minha vida buscando formas para ser feliz em todos os momentos.
Assim minha vida faz sentido.


“Não tenho tempo algum, porque ser feliz me consome.” Adélia Prado